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A coragem silenciada: o legado de um jornalista que desafiou a ditadura pela verdade

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Imagine um jovem repórter, aos 31 anos, enfrentando os horrores da ditadura militar no Brasil, armado apenas com sua voz e a determinação de revelar a verdade. Mário Eugênio Rafael de Oliveira, mineiro de Comercinho, era o apresentador do programa “O gogó das sete” e editor da página policial do Correio Braziliense. Em 1984, ele denunciou um grupo de extermínio formado por policiais civis e militares do Exército, responsável pela morte de um dono de chácara em Luziânia, no Entorno do DF. Essa ousadia custou sua vida: na noite de 11 de novembro, no estacionamento da Rádio Planalto, na Asa Sul, Mário foi assassinado com uma facada na nuca e tiros de espingarda calibre 12 e revólver magnum calibre 381. Seu crânio ficou desfigurado, mas sua história continua a inspirar gerações a lutar pela justiça e pela liberdade de expressão, mostrando que a verdade, mesmo dolorosa, pode ecoar além da opressão.

O inquérito apontou sete suspeitos, incluindo o então secretário de Segurança Pública do DF, coronel Lauro Melchiades Rieth, e o delegado Ary Sardella, ambos condenados, mas que escaparam de penas mais severas graças a habeas corpus. Rieth, que desafiou Mário a publicar sobre o “esquadrão da morte” com a frase “Tem participação de militares do Exército, publica se tiver coragem”, faleceu há anos, e sua filha recebe uma pensão militar de R$ 35 mil mensais. Sardella, hoje com 88 anos, ganha mais de R$ 30 mil como aposentado e se destacou como instrutor de tiro esportivo e mestre em jiu-jitsu, recebendo honras de Hélio Gracie. Outros envolvidos, como Divino José de Matos (Divino 45), que disparou os tiros e recebe R$ 4,7 mil de aposentadoria, e militares como Antônio Nazareno Mortari Vieira, cumpriram penas mínimas ou respondem em liberdade. No total, os cofres públicos gastam mais de R$ 70 mil em pensões e aposentadorias para esses condenados, um lembrete amargo de impunidades.

Durante a ditadura, 25 jornalistas foram mortos ou desapareceram, e centenas foram perseguidos. A saga de Mário Eugênio nos inspira a valorizar a imprensa livre e a coragem individual: jovens de hoje, como vocês, podem carregar esse fogo, denunciando injustiças e construindo um futuro onde a verdade prevaleça, transformando silêncios em vozes poderosas que mudam o mundo.

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