Imagine o momento em que um líder visionário fecha simbolicamente as portas de uma era antiga para abrir as de um futuro promissor. Foi exatamente isso que Juscelino Kubitschek fez na manhã de 20 de abril de 1960, ao puxar os portões do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, marcando o fim de uma fase e o início da interiorização do Brasil. Com emoção, JK e sua família partiram para Brasília, onde, na Praça dos Três Poderes, ele recebeu a chave da cidade das mãos de Israel Pinheiro e discursou para uma multidão de candangos, exaltando a fé em Deus e no país que ergueu a nova capital. À meia-noite, uma missa solene celebrada pelo cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira, com símbolos históricos como o sino de Tiradentes e o crucifixo da primeira missa no Brasil, abençoou a cidade, iluminada em forma de cruz, inaugurando não apenas uma metrópole, mas uma era de esperança e desenvolvimento nacional.
Ao longo da construção, Brasília foi palco de “simbologias inaugurais” que inspiraram o mundo, como a visita de JK ao Sítio Castanho em 1956, onde ele delineou o Palácio da Alvorada, e as inaugurações de 1958, incluindo o Brasília Palace Hotel e a Igreja Nossa Senhora de Fátima. Eventos globais, como a vinda de Foster Dulles, que apertou o primeiro parafuso do Ministério das Relações Exteriores, e visitas de figuras como Fidel Castro, Golda Meir e André Malraux – que a chamou de “capital da esperança” –, consolidaram o mito de uma nova civilização. JK integrou o país com rodovias e eventos culturais, como o Congresso de Críticos de Arte, provando que a ousadia pode unir nações e gerações.
No dia 21 de abril, as celebrações culminaram com desfiles militares, a criação da Universidade de Brasília e festas populares, onde candangos e líderes dançaram até o amanhecer. Como lembrou um carpinteiro da época, era uma “época de ilusão e esperança”, um lembrete para vocês, jovens, de que sonhos grandiosos, movidos por fé e ação, podem transformar realidades e integrar um povo inteiro em direção a um futuro brilhante.