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Projeto de lei que interna compulsoriamente moradores de rua com transtornos mentais divide Câmara do DF

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Praça deserta em Brasília ao entardecer, simbolizando projeto de lei sobre moradores de rua
Praça deserta em Brasília ao entardecer, simbolizando projeto de lei sobre moradores de rua

Um projeto de lei que institui a internação compulsória de pessoas em situação de rua com transtornos mentais e uso abusivo de álcool e drogas gerou forte debate na Câmara Legislativa do Distrito Federal na terça-feira, 26 de maio de 2026. Apresentado pelo deputado Max Maciel, o texto prevê internação involuntária em unidades especializadas com base em laudo médico e rede de atenção integral, mas especialistas alertam para o risco de violações de direitos humanos e para a ausência de políticas preventivas efetivas.

Críticas ao modelo de internação compulsória

Durante a audiência pública, representantes de órgãos do DF e movimentos sociais destacaram que a medida pode afastar ainda mais quem já vive em vulnerabilidade. Thiago Manzoni, do Movimento Nacional da População em Situação de Rua, afirmou que a internação sem consentimento viola direitos e não resolve a raiz do problema. A psicóloga Dayse Amarilio reforçou que faltam leitos e equipes de rua capacitadas, tornando a internação muitas vezes a única resposta disponível.

A internação sem o consentimento da pessoa pode violar direitos e afastar ainda mais quem já está vulnerabilizado. Precisamos de políticas de moradia e trabalho, não de recolhimento forçado

Thiago Manzoni

Alertas sobre saúde mental e direitos humanos

O deputado Gabriel Magno, do PT, cobrou respeito às diretrizes do SUS em saúde mental e alertou para brechas que poderiam facilitar abusos. Max Maciel defendeu que o foco deve permanecer na prevenção, na assistência territorial e na oferta de moradia digna, repetindo que não se trata de criminalizar a pobreza. Mesmo assim, participantes concluíram que a proposta avança sem garantir recursos suficientes para uma rede de cuidado integral.

Não podemos abrir brechas para violações. O SUS tem diretrizes claras sobre saúde mental e elas precisam ser respeitadas

Gabriel Magno

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