A abertura da VIII Mostra de Arte e Literatura da Academia Internacional de Cultura na Câmara Legislativa do Distrito Federal, realizada na noite de quarta-feira, expôs mais uma vez as limitações do apoio institucional à produção artística local e internacional em Brasília, com a posse de José Geraldo Neres na cadeira 37 e a exposição de apenas 58 obras de 14 artistas no hall de entrada do prédio principal.
Exposição com acesso restrito
A mostra, que inclui pinturas, esculturas, fotografias e instalações, permanece aberta ao público até 23 de agosto de 2026, mas apenas de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, o que restringe o alcance para trabalhadores e estudantes que não podem visitar durante o horário comercial. O deputado Wellington Luiz destacou o compromisso da casa com a cultura, porém a iniciativa ocorre em um contexto de escassa programação permanente no Legislativo.
A cultura é o que nos humaniza. E a CLDF tem o compromisso de abrir suas portas para que a arte e a literatura possam circular livremente
deputado Wellington Luiz
Posse e homenagens sem impacto duradouro
Durante a solenidade, Mário Costa e Iara de Moraes, presidentes da AIC, conduziram a posse do novo acadêmico e a entrega do Troféu Mulher AIC 2025 a Sâmia Harue, que dedicou a conquista às mulheres que lutam por espaço. Ainda assim, o evento reforça a dependência de ações pontuais para valorizar a literatura e as artes visuais, sem garantias de continuidade ou ampliação de recursos.
É uma honra receber este troféu. Dedico esta conquista a todas as mulheres que lutam diariamente por seus espaços e por uma sociedade mais justa
Sâmia Harue
O lançamento do livro “O Menino que Virou Poesia”, de José Geraldo Neres, integrou a programação, mas a concentração de atividades em um único espaço da CLDF evidencia a fragilidade da difusão cultural em um cenário de prioridades concorrentes no Distrito Federal.