Início Distrito Federal Direitos que transformam: meninas do DF superam barreiras para acessar aborto legal após violência
Distrito Federal

Direitos que transformam: meninas do DF superam barreiras para acessar aborto legal após violência

99

No Distrito Federal, meninas e mulheres vítimas de estupro estão encontrando um caminho de esperança e recuperação por meio do aborto legal gratuito na rede pública de saúde, um direito garantido pelo Código Penal e pela Lei do Minuto Seguinte (Lei nº 12.845/2013). O Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib) se destaca como referência, onde, só no primeiro semestre deste ano, 199 mulheres realizaram o procedimento de forma segura e humanizada, incluindo 13 meninas entre 10 e 18 anos. Nos últimos três anos, 85 meninas acessaram esse serviço essencial, refletindo uma rede de apoio que inclui o Programa de Interrupção Gestacional Prevista em Lei (PIGL), com acolhimento multiprofissional e encaminhamentos para unidades como Centros de Especialidades para Atenção às Pessoas em Situação de Violência Sexual (Cepav) e Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Essa estrutura não exige boletim de ocorrência policial – basta a declaração da vítima –, priorizando a saúde e o bem-estar, como defende Karen Langkammer, diretora da Divisão Integrada de Atendimento à Mulher da Polícia Civil do DF, que enfatiza como o acesso à saúde fortalece a investigação sem criar obstáculos.

Apesar dos avanços, desafios persistem, mas a resiliência das vítimas e ativistas inspira uma luta coletiva por justiça. Laura Molinari, coordenadora da campanha Nem Presa Nem Morta e integrante do Conanda, alerta que, embora a lei exista há 80 anos, apenas cerca de 2 mil abortos legais ocorrem anualmente no Brasil, contrastando com quase 100 mil casos de estupro reportados. No DF, a Defensoria Pública intervém em situações de negativa, como gestações acima de 22 semanas ou ausência de responsáveis, garantindo o cumprimento da lei em casos pontuais nos últimos dois anos. A Resolução nº 258 de 2024 do Conanda reforça que não há limite gestacional nem necessidade de autorização judicial, promovendo um atendimento rápido e sem barreiras.

Recentemente, a aprovação de um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) na Câmara dos Deputados ameaça essa resolução, gerando preocupação em órgãos como os ministérios das Mulheres e dos Direitos Humanos, que veem nisso um retrocesso inconstitucional. No entanto, vozes como a de Molinari prometem judicialização e mobilização, com petições como a da campanha “Criança Não É Mãe” ganhando força. Para jovens como vocês, essa história é um chamado à ação: ao conhecerem e defenderem esses direitos, vocês podem ajudar a construir um futuro onde nenhuma menina sofra em silêncio, transformando dor em empoderamento coletivo. O PIGL no DF está acessível via WhatsApp (2017-1624) ou telefone (3449-7667), de segunda a sexta, das 7h às 18h, provando que a mudança começa com um passo corajoso.

Conteúdo relacionado

CLDF abre inscrições para Prêmio Paulo Freire em meio a críticas por ineficiência educacional

CLDF anuncia inscrições para a 4ª edição do Prêmio Paulo Freire em...

CLDF confronta presidente do BRB em reunião tensa sobre irregularidades

Reunião tensa na CLDF expõe confrontos com o presidente do BRB sobre...

GDF lança chamamento para expandir saneamento no Jardim Botânico e regiões leste

GDF lança chamamento público para expandir saneamento no Jardim Botânico, São Sebastião...

Ministro Caputo Bastos recebe título honorário da CLDF em cerimônia sob suspeita

Ministro Caputo Bastos, do TST, recebe título honorário da CLDF em cerimônia...