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Policial federal réu por homicídio recebe R$ 22 mil em gratificações e segue em cargo de combate ao crime organizado

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Ricardo Matias Rodrigues, agente especial da Polícia Federal (PF) de 53 anos, réu por homicídio duplamente qualificado e tentativa de homicídio em uma festa de barco em 2016, continua lotado na Diretoria de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor) nove anos após o incidente. Ele é acusado de matar o bancário Cláudio Muller, de 47 anos, e de atirar no peito de Fábio Cunha, de 37 anos na época, durante uma comemoração no Lago Paranoá, em Brasília. O crime ocorreu após uma discussão envolvendo as esposas das vítimas e a companheira do policial, que utilizou uma pistola Glock 9mm para efetuar os disparos. Testemunhas relatam versões divergentes: a esposa de Muller alega agressão inicial contra ela, enquanto Rodrigues afirma ter agido em legítima defesa após supostas agressões à sua esposa. O agente confessou os fatos na delegacia, mas não foi preso em flagrante e foi liberado após assinar um termo de compromisso.

Entre novembro de 2020 e fevereiro de 2025, Rodrigues recebeu mais de R$ 22 mil em gratificações e diárias por ministrar cursos de gestão de crise e segurança em cidades como Brasília (DF), Goiânia (GO), Paracatu (MG) e Eunápolis (BA), com valores médios de R$ 2 mil por viagem de cerca de cinco dias, pagos pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública via Gratificação por Encargo de Curso ou Concurso (GECC). Formado em ciências econômicas, com especializações em inteligência competitiva, contrainteligência e gerenciamento de crises, ele atua em temas como domínio de cidades, crime articulado e novo cangaço. Seu salário base como agente especial em 2025 é estimado em R$ 21.987,38, podendo chegar a R$ 25.250 com reajustes e adicionais por tempo de serviço de 19 anos. Apesar das acusações, Rodrigues foi homenageado com honrarias máximas por polícias militares de seis estados: Bahia, Goiás, Mato Grosso, Tocantins, Rio Grande do Norte e Pernambuco.

A condenação inicial de 24 anos de prisão, proferida pelo Tribunal do Júri de Brasília em 2018, foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2019 devido a falhas processuais, como ofensa aos princípios da correlação, plenitude de defesa e contraditório. Um processo administrativo na PF resultou em restrições, como perda do direito a arma e proibição de deixar o Distrito Federal sem autorização. Rodrigues será julgado novamente em 16 de dezembro, às 9h, no Júri de Brasília. Caso condenado e o processo transite em julgado, ele pode ser exonerado conforme o artigo 92 do Código Penal. A PF não comentou o caso, e a defesa não foi localizada.

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