Início Distrito Federal Tragédia em creche irregular revela crise de vagas na educação infantil do DF
Distrito Federal

Tragédia em creche irregular revela crise de vagas na educação infantil do DF

212

A cabelereira Lorrany Stephane Ribeiro de Oliveira, de 27 anos, vive o luto pela morte da filha Laura Rebeca Ribeiro dos Santos, de 1 ano e 4 meses, que faleceu por asfixia causada pelo cinto de um bebê-conforto em uma creche irregular em Ceilândia, na tarde de quinta-feira. Sem opções familiares para cuidar da bebê, Lorrany confiou na indicação de uma cuidadora, pagando R$ 50 pelo serviço, e recebeu promessas de vigilância por câmeras e atualizações ao longo do dia. No entanto, após relatos de agressões entre crianças e versões contraditórias da cuidadora sobre o ocorrido – incluindo a saída para levar outras crianças à escola e deixar Laura com o marido –, a mãe foi alertada de um acidente e encontrou equipes do Samu tentando reanimar a menina, sem sucesso. A perícia preliminar confirma sufocamento, e o sepultamento ocorreu nesta sexta-feira no Cemitério Campo da Esperança, em Taguatinga.

A investigação da 24ª Delegacia de Polícia aponta para homicídio culposo, com a cuidadora ouvida e liberada, enquanto o marido dela será interrogado na próxima semana. Peritos coletaram evidências no local, onde oito crianças estavam presentes, e aguardam análise de câmeras de segurança apreendidas. O advogado criminalista Guilherme Gama destaca que a operação irregular pode resultar em responsabilização penal e civil, devido à violação do dever de cuidado e à ausência de alvará, o que agrava imprudências e facilita indenizações por danos morais e materiais.

O caso expõe o déficit de vagas em creches públicas no Distrito Federal, onde Laura ocupava a 38ª posição em uma lista de 90 na Coordenação Regional de Ensino do Setor O. A Secretaria de Educação relata 4,5 mil crianças na fila, com 655 creches regularizadas – 382 privadas e 273 públicas ou conveniadas. O presidente do Conselho de Educação do DF, Álvaro Moreira Domingues Júnior, enfatiza a necessidade de documentação como CNPJ, licenças e projeto pedagógico para operação legal, alertando que 40 instituições irregulares foram identificadas em 2023. A pasta acionou o DF Legal para verificações, reforçando a inexistência de previsão legal para creches domiciliares.

Conteúdo relacionado

Insegurança alimentar atinge milhares de idosos no DF, revela estudo da CLDF e UnB

A Câmara Legislativa do Distrito Federal lançou na sexta-feira, 12 de junho...

UPAs do DF registram 8,6 mil atendimentos por sintomas respiratórios em maio

As Unidades de Pronto Atendimento do Distrito Federal registraram mais de 8,6...

CME do HRSM adota sistema automatizado de esterilização 24 horas

A CME passou a operar com tecnologia que automatiza parte da higienização...

Câmara do DF homenageia voluntários do agro em São Sebastião diante de omissão do Estado

A Câmara Legislativa do Distrito Federal realiza nesta quinta-feira, 11 de junho...