Estudantes do Centro de Ensino Médio Paulo Freire, localizado na Asa Norte, no Distrito Federal, relataram que suas candidaturas por cotas no Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (UnB) foram indeferidas devido a um erro da direção da escola. A instituição não encaminhou os documentos necessários para comprovar que os alunos concluíram o ensino médio na rede pública, requisito essencial para acessar as vagas reservadas. Como resultado, vários jovens acabaram concorrendo pela ampla concorrência, o que compromete suas chances de ingresso na universidade. As cotas do PAS beneficiam estudantes de escolas públicas, pretos, pardos, indígenas, pessoas com deficiência ou de baixa renda, e a falha foi identificada após a divulgação da lista de candidatos enquadrados nesse sistema. Um aluno de 17 anos descreveu o momento em que descobriu o indeferimento ao consultar o site do Cebraspe, a banca organizadora, e expressou receio de que isso destrua seu sonho de entrar na UnB imediatamente após o ensino médio.
Outra aluna afetada manifestou frustração, afirmando que o indeferimento por cotas de escola pública e baixa renda pode custar sua aprovação, após três anos de dedicação ao processo seletivo. Os estudantes relataram que relatos semelhantes surgiram em grupos de pais e responsáveis, e alguns consideram acionar a Justiça. A diretora da escola, Roberta Talyuili, pediu desculpas à comunidade escolar e atribuiu o equívoco a orientações tardias da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF), que só disponibilizou o campo para emissão de declarações no fim do ano. Ela informou que a secretaria está aberta para retificações, mas apenas três alunos a procuraram. A SEEDF, por sua vez, afirmou que a equipe gestora da escola já retificou a documentação de todos os inscritos no PAS e que o sistema opera normalmente, sem problemas em outras instituições.
O Cebraspe esclareceu que as solicitações para cotas estão na fase de resultado provisório, com a lista final prevista para 19 de dezembro no vestibular e 29 de dezembro no PAS, e reforçou que a responsabilidade pelo envio de documentos é exclusiva do candidato, conforme o edital. Os alunos criticaram a mensagem da vice-diretora Aline Maia em um grupo de WhatsApp, oferecendo declarações após o prazo para recursos, que encerrou em 17 de dezembro, o que não resolve a situação e prolonga a ansiedade dos afetados. Esse caso destaca falhas administrativas no sistema educacional público, impactando diretamente políticas de inclusão social na educação superior.