Início Política Dinheiro em espécie e buscas no PL: operação da PF mira deputados por desvios de verbas
Política

Dinheiro em espécie e buscas no PL: operação da PF mira deputados por desvios de verbas

34

A Polícia Federal realizou mandados de busca e apreensão contra os deputados federais Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, e Carlos Jordy (PL-RJ), em uma investigação sobre desvios de recursos da cota parlamentar. Autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a ação incluiu a quebra de sigilo bancário dos parlamentares. Na residência funcional de Sóstenes Cavalcante, em Brasília, os agentes encontraram R$ 430 mil em espécie. A Operação Galho Fraco apura o uso de empresas de fachada para contratar serviços fictícios ou irregulares de locação de automóveis. De acordo com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR), assessores como Itamar de Souza Santana, ligado a Jordy, e Adailton Oliveira, ligado ao PL e a Sóstenes, atuariam como operadores do esquema. A empresa Harue Locação de Veículos recebeu R$ 214 mil de Jordy e R$ 192,4 mil de Sóstenes entre janeiro de 2020 e abril de 2024, mas investigações revelaram que ela não opera no endereço declarado e possui apenas cinco veículos, contrastando com frotas maiores de locadoras na região.

Mensagens de WhatsApp obtidas pela PF indicam cobranças “por fora”, e há suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro via “smurfing” – com depósitos e saques fracionados em valores de até R$ 9.999,00 para burlar fiscalizações – e organização criminosa. Flávio Dino justificou as medidas com base em relatórios de inteligência financeira e conversas extraídas de celulares, destacando movimentos incompatíveis com rendimentos declarados. A operação autorizou o compartilhamento de dados com a Receita Federal para procedimentos fiscais e marca um avanço em inquérito iniciado há um ano, na Operação Rent a Car, que inicialmente não incluiu os deputados. Essa ação ocorre após uma semana de reveses para o PL, partido de Jair Bolsonaro, com cassações de mandatos de Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro por motivos como condenação em trama golpista e excesso de faltas.

Tanto Sóstenes Cavalcante quanto Carlos Jordy negam irregularidades e alegam perseguição política por serem da oposição. Em coletiva, Sóstenes afirmou que o dinheiro encontrado tem origem lícita, da venda de um imóvel, e que apresentará documentação para comprovar. Ele se disse de “cabeça erguida” e criticou a investigação como ataque a conservadores de direita. Jordy, em nota e vídeo nas redes sociais, classificou as alegações como “toscas”, defendeu a empresa como prestadora de serviços a vários parlamentares e questionou buscas na casa de seus pais idosos. Ele argumentou que não cabe ao deputado fiscalizar a estrutura interna das empresas contratadas e expressou estranheza por serem alvos enquanto investigam desvios no INSS.

Conteúdo relacionado

Privilégio imobiliário a servidores do DF agrava crise habitacional no Brasil

Descubra como o privilégio imobiliário concedido a servidores do DF pela CLDF...

Lei no DF expõe falhas no combate ao abuso infantil com treinamento obrigatório de professores

Nova lei no Distrito Federal obriga treinamento de professores para identificar abuso...

Lei de Roosevelt Vilela impõe ao Estado custos de acidentes com viaturas e alarma contribuintes

A lei de Roosevelt Vilela impõe ao Estado os custos de acidentes...

Ministro do TCU suspende inspeção no Banco Central por falta de provas e leva caso ao plenário

Ministro do TCU suspende inspeção no Banco Central por falta de provas...