No Distrito Federal, entre 2015 e o primeiro semestre de 2026, 248 mulheres foram vítimas de feminicídio, deixando 492 crianças, jovens e adultos órfãos. Mais de 80% das vítimas eram mães, e os dados revelam que apenas entre janeiro e julho de 2026 ocorreram 13 casos consumados na região. Os assassinatos de Rozane Ribeiro e Vanessa Lopes, ocorridos em 2022, ilustram o padrão recorrente de violência doméstica que culmina em tragédias evitáveis.
Casos emblemáticos de feminicídio
Rozane Ribeiro foi esfaqueada pelo parceiro em 12 de dezembro de 2022 em Ceilândia, enquanto Vanessa Lopes sofreu o mesmo destino em 3 de outubro do mesmo ano. Os agressores fugiram ou foram presos posteriormente, conforme relatos das famílias. Os filhos Robertha Ribeiro e Arthur Leandro descreveram o luto diário, a perda financeira e a necessidade constante de terapia para lidar com o trauma.
Impacto psicológico e social nos sobreviventes
Os familiares destacam que o feminicídio representa o ápice de um histórico de agressões verbais e materiais. Robertha Ribeiro relata a rotina de sofrimento: “Não tem como você ter uma rotina. Minha rotina é chorar de manhã, tentar parar de chorar à tarde e chorar de noite. Essa tem sido minha rotina há cerca de 4 anos”. Arthur Leandro menciona as bandeiras vermelhas anteriores: “Eles tinham algumas brigas, e em uma delas ele inclusive quebrou o celular da minha mãe. Aquelas bandeiras vermelhas já estavam indicando a agressão verbal e material”. Ele ainda critica a pena aplicada: “Ele pegou 28 anos [de cadeia], que para mim ainda é pouco. Porque ele tirou a vida da minha mãe”.
O delegado Marcelo Zago explica que o feminicídio segue um padrão distinto dos homicídios comuns, marcado por machismo e possessividade. A psicóloga Sarah Mello ressalta a importância do suporte terapêutico para os órfãos. Mariele Silva e Inara Gabrielly, parentes de outras vítimas, reforçam a solidão enfrentada após a perda do “colo” materno, conforme descrito por Robertha: “Mãe é colo. Quando dá tudo errado na sua vida, você consegue voltar para o colo da sua mãe. Quando tiram esse colo de você, você se sente sozinho no mundo”.