Em um momento que pode reacender a esperança dos jovens pela justiça eleitoral, a ministra Maria Isabel Galotti, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), votou nesta terça-feira (4) pela cassação do mandato do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, acusando-o de abuso de poder político e econômico durante a campanha de reeleição em 2022. Como relatora do caso, Galotti defendeu não apenas a perda do cargo, mas também a inelegibilidade por oito anos e a convocação de novas eleições para o governo do estado. Esse posicionamento destaca irregularidades em contratações na Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), onde pagamentos foram feitos diretamente aos beneficiários, sem fiscalização adequada e fora da folha de pagamento oficial. Testemunhas relataram coações para apoiar a campanha de Castro em redes sociais, em troca de empregos, revelando um esquema que, segundo a ministra, colocava o governador no centro das práticas ilícitas. Essa decisão preliminar surge como um farol de transparência, incentivando a nova geração a valorizar lideranças éticas e a participar ativamente da democracia.
O vice-procurador eleitoral Alexandre Espinosa reforçou a acusação, apontando que Castro obteve vantagens eleitorais por meio de contratações temporárias sem base legal, envolvendo 27.665 pessoas e gastos de R$ 248 milhões em projetos sociais descentralizados. Pagamentos em “boca de caixa” teriam aliciado eleitores, com alguns contratados atuando diretamente na campanha. Em defesa, o advogado de Castro, Fernando Neves, argumentou que o governador apenas sancionou leis e decretos da Assembleia Legislativa, sem responsabilidade por irregularidades na execução, comparando a situação a multas de trânsito que não recaem sobre chefes de instituições. O julgamento, iniciado para reverter a absolvição do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) de maio passado, foi suspenso por pedido de vista do ministro Antônio Carlos Ferreira, sem data para retomada. Essa pausa não diminui o impacto: para os jovens, é uma oportunidade de ver a política como um campo de transformação, onde a luta contra abusos pode pavimentar caminhos para um futuro mais justo e participativo no Rio de Janeiro.