O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), descreveu como uma “vitória do Judiciário brasileiro” a decisão do governo dos Estados Unidos de retirar seu nome da Lei Global Magnitsky, anunciada nesta sexta-feira. Segundo Moraes, “a verdade venceu” após cinco meses de inclusão na lista, que o acusava de graves abusos contra os direitos humanos, detenções arbitrárias e supressão da liberdade de expressão durante a gestão de Donald Trump. A remoção, divulgada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), também excluiu a esposa do ministro, Viviane Barci, e a empresa da família das sanções. Em discurso durante o lançamento do SBT News, Moraes destacou a imparcialidade e coragem do Judiciário, que não se curvou a ameaças, e elogiou a soberania nacional defendida pelo presidente Lula, presente no evento.
Moraes agradeceu o empenho de Lula nas negociações com os EUA, afirmando que confiava na prevalência da verdade desde o início das sanções, sem necessidade de ações retaliatórias. Os EUA não anunciaram mudanças em relação a outros ministros do STF ou autoridades brasileiras com vistos cancelados. À época das sanções, Trump criticou a gestão Lula como uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, cumprindo pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A inclusão de Moraes foi influenciada pelo deputado Eduardo Bolsonaro, réu no STF por supostamente atrapalhar julgamentos e pressionar por sanções.
Reações políticas foram variadas: Eduardo Bolsonaro lamentou a decisão, atribuindo-a à falta de unidade da direita brasileira e agradecendo o apoio de Trump. O senador Flávio Bolsonaro viu o gesto como um passo para anistia e normalização das relações Brasil-EUA, mencionando um projeto de lei de anistia no Senado. Do lado governista, a ministra Gleisi Hoffmann celebrou como vitória de Lula e derrota da família Bolsonaro, enquanto o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, destacou o desnorteio do bolsonarismo e o sucesso da diplomacia brasileira.