O governo brasileiro chega ao limite para subsidiar preços de combustíveis com os ganhos da arrecadação de petróleo. Economistas afirmam que fica mais difícil amortecer choques no diesel sem gerar impacto fiscal maior. Rai Chicoli, Marianna Costa e Stephan Kautz analisam os dados e apontam restrições do arcabouço fiscal.
Limites do arcabouço fiscal
O governo já usou a maior parte da margem disponível para conter os preços. Marianna Costa explica que estender ou ampliar novas rodadas de subsídio exige remanejamento de verbas ou aumento do déficit público. Sem espaço no orçamento, qualquer nova medida depende de corte em outras áreas.
Sob as regras do arcabouço fiscal e sem margem no orçamento, estender ou ampliar novas rodadas de subsídio exige o remanejamento de verbas ou o aumento do déficit público.
Marianna Costa
Pressão sobre o diesel
Rai Chicoli observa que o governo já fez tudo o que podia e que manter os preços vai custar mais do que arrecadar. Ele alerta que o combustível pode ficar tão caro que alguns caminhoneiros deixem de trabalhar. O cenário piora se os Estados Unidos restringirem exportações de diesel.
Parece que o governo já fez tudo o que podia fazer e vai chegar um momento em que vai estar mais gastando para manter os preços do que arrecadando por conta do petróleo mais alto.
Rai Chicoli
Talvez chegue um momento em que o combustível fica tão caro que, para alguns caminhoneiros, não faria sentido trabalhar.
Rai Chicoli
Riscos para a inflação
Stephan Kautz afirma que a inflação deve reacelerar nos próximos meses por causa dos combustíveis, do El Niño e da reversão de fatores temporários. O governo precisa indicar de onde sairá o dinheiro caso decida intervir de novo. Os motoristas e consumidores sentem primeiro o efeito no bolso.