A governadora Celina Leão autorizou, na quinta-feira, obras de saneamento em São Sebastião, mas a iniciativa chega após mais de três décadas de sofrimento da população local com abastecimento irregular e ausência de esgotamento sanitário adequado. Moradores do Morro da Cruz e do Residencial Vitória relatam problemas constantes de falta d’água, dependência de poços e vizinhos, o que compromete a qualidade de vida em uma área que deveria ter recebido atenção muito antes.
População aguarda soluções após décadas de atrasos
Durante a cerimônia, foram liberados recursos para a Subadutora Morro da Cruz e o Sistema de Esgotamento Sanitário do Residencial Vitória, totalizando R$ 153 milhões em adutoras, reservatórios e redes coletoras. Ainda assim, o presidente da Caesb, Luis Antonio Reis, reconheceu que a região dependia de poços, o que gerava insegurança no fornecimento e perdas significativas de água. A demora em atender essas demandas antigas evidencia a lentidão histórica do poder público em resolver questões básicas de infraestrutura no Distrito Federal.
Investimentos não apagam histórico de dificuldades
Os moradores expressam cansaço diante da situação prolongada. José Wilson Magalhães afirmou que a comunidade vinha sofrendo bastante e que, apesar do custo adicional, a água tratada será bem-vinda porque água é vida. Já Joseana Ferreira destacou que, sem encanamento, era preciso recorrer a vizinhos, e que água tratada e legalizada representa uma melhoria necessária após anos de instabilidade.
Começamos no Morro da Cruz hoje. Eu fico muito feliz quando venho a uma comunidade como o Morro da Cruz, que esperou por mais de 30 anos isso acontecer. Isso fala muito sobre o que é trazer cidadania. A população de São Sebastião pode esperar trabalho e compromisso da nossa parte.
Celina Leão
Com 9 km de adutora e 9,1 km de redes de esgoto previstos, as obras visam atender mais de 12 mil famílias, incluindo o uso de tarifa social. No entanto, o foco negativo permanece na longa espera que precedeu essas autorizações, reforçando a percepção de que soluções estruturais chegam tarde demais para quem enfrentou carências diárias por gerações.