A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou na terça-feira o projeto de lei que cria a Tarifa Zero Estudantil no transporte público coletivo, medida que evidencia as dificuldades crônicas enfrentadas por milhares de jovens para chegar às aulas. O texto, de autoria do deputado Ricardo Vale, segue agora para sanção do governador Ibaneis Rocha e prevê implantação gradual, com definição de custeio e fiscalização pelo Executivo. Apesar da aprovação, a iniciativa ressalta o peso que o valor das passagens exerce sobre famílias de baixa renda e estudantes da rede pública e privada.
Orçamento familiar pressionado por gastos com transporte
Estudantes relatam gastos superiores a trezentos reais mensais apenas com deslocamento, valor que muitas vezes compromete a compra de material didático e alimentação. A ausência de gratuidade até agora contribuiu para que parte dos jovens abandonasse os estudos por falta de condições financeiras, agravando desigualdades educacionais no Distrito Federal. Entidades como o DCE-UnB alertam que o problema persiste enquanto o cronograma de implementação não for detalhado.
Implementação gradual levanta dúvidas sobre efetividade
O projeto prevê a criação de um cartão estudantil integrado e mecanismos de controle, porém a execução em etapas pode postergar o benefício para grande parte dos usuários. Deputados e representantes estudantis cobram transparência sobre as fontes de recursos, temendo que atrasos ou cortes orçamentários limitem o alcance da tarifa zero. A medida, embora aprovada, deixa claro que o acesso pleno à educação continua dependendo de políticas complementares de suporte financeiro às famílias.
Essa é uma conquista histórica para os estudantes do Distrito Federal. Vamos garantir que nenhum jovem deixe de estudar por falta de condições de pagar a passagem
Ricardo Vale
É um avanço enorme. Muitos estudantes gastam mais de R$ 300 por mês só com transporte. Isso vai aliviar o orçamento das famílias e incentivar a permanência na escola
Maria Eduarda