O Governo de Goiás, na gestão de Daniel Vilela, anunciou a intenção de adquirir um imóvel hospitalar por cerca de R$ 500 milhões da Oncoclínicas, operação que levanta alertas sobre riscos aos cofres públicos devido à participação acionária de fundos ligados ao Banco Master.
Participação acionária e exigências regulatórias
Os fundos Quíron e Tessália, administrados pela Latache Gestão de Recursos e vinculados ao Banco Master, elevaram sua fatia na Oncoclínicas para 20,18% do capital. Essa concentração ultrapassou o limite que obriga notificação prévia ao Cade, configurando o que o órgão considera gun jumping.
O Cade, sob relatoria da conselheira Camila Cabral, decidiu por unanimidade que a operação deveria ter sido comunicada antes da conclusão. A ausência de notificação gerou questionamentos sobre o cumprimento das regras de defesa da concorrência no setor de saúde.
Riscos para os recursos públicos
A Justiça determinou o bloqueio de bens e participações de investigados ligados ao Banco Master, medida adotada para garantir eventual ressarcimento de prejuízos. Caso os fundos ainda detenham as ações da Oncoclínicas no momento da compra, o Estado de Goiás poderá enfrentar dificuldades para concluir o negócio sem exposição financeira.
As informações foram divulgadas originalmente pelo Estadão em abril de 2026 e repercutiram em reportagens da revista IstoÉ Dinheiro em julho. Especialistas alertam que a transação exige análise criteriosa para proteger o patrimônio público de eventuais complicações judiciais.